Jornalista Sumara Mesquita lança livro “Um beijinho do Erazê”

A jornalista Sumara Fernanda Mesquita lança neste sábado (1/12), às 14h, no restaurante Koh Samui, o livro “Um Beijinho do Erazê” com textos do filósofo, publicitário e jornalista jundiaiense Erazê Martinho, falecido em 2006.

Idealizado como homenagem, o livro apresenta uma coletânea de artigos, crônicas, poesias e filosofadas escritas por Erazê. “Reuni parte da obra extensa deixada por ele, priorizando textos que Erazê estava selecionando para a publicação de um livro”, conta Sumara, que conheceu o publicitário em 1992 quando o entrevistava para a Rádio Cidade.

Com a ajuda dos filhos de Erazê, Ivan e Cassio Martinho, a jornalista também compilou poesias, cartas e filosofadas que ele enviava aos amigos, sempre finalizadas com “um beijinho do Erazê”.

Foto escolhida para capa do livro: Erazê, nos anos 70, no Síto Sem Fim

O livro, publicado pela editora In House, é também um passeio pela história de Jundiaí. Nascido em 1933, Erazê relembra os tempos de infância e juventude na cidade, como os armazéns de secos e molhados, a vivência no grupo escolar Conde do Parnaíba e as matinês no Polytheama. Revive as noites de amores e amigos no Bar do Sandi e dedica versos ao sítio ‘Sem-Fim’, onde viveu boa parte de sua vida.

Há também homenagem a Portugal, visitado pelo publicitário no início de 2000, e os artigos sobre a conjuntura nacional que, segundo a organizadora, “parecem ter sido dedicados ao momento atual do país”.

Eleito primeiro vereador pelo Partido dos Trabalhadores em Jundiaí, em 1982, Erazê foi também o fundador do bloco carnavalesco ”Refogado do Sandi”, hoje registrado como patrimônio cultural imaterial da cidade. É autor do livro “A irreverência equilibrista” em homenagem ao também publicitário Carlito Maia e, junto com Antonio Vieira e Sandro Vaia, é coautor do livro ”Crônicas de segunda (com Pufs de primeira)”.

“Considero Erazê Martinho uma pessoa de talento publicitário imenso, do nível de Washington Olivetto e Nizan Guanaes, que tinha desprezo por questões materiais e fama. A simplicidade era a marca de seu caráter”, afirma Eduardo Suplicy em depoimento para o livro e a quem Erazê assessorou durante campanha a prefeito de São Paulo, em 1985.

“Hilda Hilst amava os versos improvisados por Erazê na Casa do Sol, seu oráculo. Nós amávamos a poesia do sítio Sem-Fim, sua morada. Poesia que ora ele compartilhava conosco, ora guardava dentro de si, num farnel encantado, para prosseguir viagem no além-mar de seus descobrimentos”, lembrou a poetisa e amiga Sônia Cintra, falecida em fevereiro deste ano.

Confira o depoimento sobre o livro concedido pela autora Sumara Mesquita, especialmente para o Acontece Jundiaí:

“O livro que lanço neste sábado (1/12) não é uma biografia sobre meu grande mestre e amigo, Erazê Martinho. É um livro que já estava sendo escrito por ele, antes de sua morte, em 2006, com artigos, crônicas, filosofadas, sambas e poesias. Minha tarefa durante esses anos foi, mais ou menos, montar um quebra-cabeças e imaginar o que mais ele escolheria para fazer parte dessa coletânea.

Organizar esse livro e o publicar em nome do Erazê é uma honra imensa. Mas é também uma “pedra de responsa”. É como se eu estivesse decidindo ou falando por ele, e quem o conheceu lembra-se do grau de inteligência, sapiência e exigência. Foi um misto de medo, stress e “eba!”.

Ao mesmo tempo tem sido terapêutico. Reler esses textos é voltar aos tempos dessa amizade grandiosa. É ouvir a voz dele contando esses casos, debatendo política naquele nível “mestres da filosofia”, falando sobre seus amores, suas preferências musicais, sua infância, seus filhos, seu netos, sua viagem a Portugal, sua paixão por Saramago e pelo bairro de Alfama. Ele foi de fato um divisor de águas em minha vida. Fico imaginando quem ou como eu seria hoje se não o tivesse conhecido.

Sim. Admito que demorei para lançar o livro. Mas o faço num momento importante de minha vida, com a maturidade necessária para entender muito do que ele sentia ao escrever sua obra e sobre boa parte da qual eu não tinha compreensão mais aprofundada. Foi preciso eu começar a envelhecer para entender os versos sobre visão turva, audição alterada, falta de tesão e dores nos ossos (rs).

Quer coisa mais deliciosa do que ter como melhor amigo um ser humano inteligente pra cacete, temperado com humor agridoce? Eu prestava atenção em tudo que ele dizia, eu escutava tudo aquilo como grandes ensinamentos para a vida. Meu mantra é: “Mesquitinha, só a gente salva a gente!”. Eu levava broncas (muitas!). Mas o que mais me recordo era de dar muita risada com ele. Ele tinha o poder de transformar situações broxantes em piadas de perder o fôlego. Ele era foda.

Eu espero estar chegando aos pés do que ele estava imaginando para o livro. Até porque ele ameaçava muito vir puxar a nossa perna depois de morrer (rs).

As pessoas perguntam o que eu era dele. Era uma amiga muito mais nova e uma grande admiradora. Para mim ele foi um grande mestre. Para ele, pelas coisas que dizia, eu era amiga e discípula que o acompanhava nos eventos, nos botecos, no samba e na militância.

Herdei muita coisa nessa história toda. A começar pelos amigos queridos que ele deixou. Sou amiga do Araken Martinho, do Mendes Pereira, do Inos Corradin, do Cid Tavares, do Antonio Galdino (adoro esses caras!). Fui muito amiga do Picoco, da Sônia Cintra e da Ema Ivanira. Eles partiram mas, como merecido, são protagonistas no livro do Erazê.

Herdei o amor pelo jazz, pelo vinho e pelo budismo. Sou amiga dos filhos dele. Tenho verdadeira paixão e admiração pelo mestre Rã, o Cássio Martinho. É meu ‘brow’. Sou amiga de toda a galera do Refogado do Sandi, bloco maravilha que fez o maior chamego de minha vida ao me nomear rainha em 2014. Como diz minha amada amiga Liliane Rossi, ‘fiquei toda pimpona’.

Sou de esquerda! Com respeito a todos os pensamentos, mas não poderia deixar de sê-lo ao ler os livros que li, a ter os professores que tive, a passar o que já passei e ao conhecer o Erazê Martinho.

Minha gratidão é imensa. É densa. E por isso vou dar um ‘spoiler’ e contar o que escrevi no posfácio do livro.

”Nesses 16 anos de amizade também prometemos muitas coisas um ao outro e que não tivemos tempo de cumprir. Você ficou de me dar aulas de Filosofia e francês e me levar a mais templos de meditação e eu de te ensinar a andar de bicicleta e a gostar um pouco mais de rock’n roll. Recentemente aprendi a meditação de cura havaiana chamada Ho’Oponopono (você adoraria praticar) e me despeço com a oração principal.

Por tudo que passamos e que talvez, em outra oportunidade, tempo e espaço, ainda venhamos a passar, “sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata”.

Sua eterna admiradora, amiga e filha.

Sumara Fernanda Mesquita

 

Serviço

Lançamento do livro “Um beijinho do Erazê”, organizado por Sumara Mesquita (Editora In House)
Dia 1º de dezembro, 14 horas
Restaurante Koh Samui – Avenida 9 de Julho, 2001
Com show de Fredy Fevereiro & Trio Samba Jazz
Entrada franca
*a partir das 14 horas é permitido estacionar na avenida

 

Da Redação
Fotos: Divulgação

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