Sesc Jundiaí recebe a peça Diários do Abismo com Maria Padilha

Sesc Jundiaí recebe Diários do Abismo, com atuação de Maria Padilha e direção de Sergio Módena. O espetáculo é uma adaptação de Pedro Brício para Hospício é Deus, de Maura Lopes Cançado. A apresentação acontece neste sábado, 8, às 19h, no Teatro da unidade.

Com apenas dois livros publicados, Maura Lopes Cançado foi saudada nos meios literários como uma promessa que não se cumpriu. Diagnosticada com esquizofrenia, a autora mineira passou por diversos sanatórios e clínicas psiquiátricas, vivenciando o horror dos métodos de tratamento da época. Hospício é Deus, seu primeiro livro, é um relato autobiográfico escrito enquanto estava internada.

“Ganhei o livro de presente do Ney Latorraca, que disse: aqui tem uma grande personagem”, revela Maria Padilha, que comemorou 40 anos de carreira em 2018 com a estreia da peça, seu primeiro monólogo. “O que Maura escreve sobre a natureza humana, loucura, sanidade e religiosidade impressiona pela assustadora lucidez com que aborda os temas”, descreve Módena.

Nascida em uma família rica e importante de Minas Gerais, aos 7 anos de idade Maura já tinha o hábito de inventar personagens para si mesma. Foi nesta época que os ataques epiléticos começaram. Diagnosticada como psicótica, passou por diversos sanatórios e clínicas psiquiátricas. Em seu diário contava fatos determinantes de sua vida antes e durante sua internação, denunciando os terríveis métodos de tratamento praticados.

Estreou em 1959 como escritora no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil. Em 1965 foi publicado Hospício é Deus. Em 68, O Sofredor do Ver. Os títulos foram reeditados pela editora Autêntica em 2015. Teve seu nome maculado na história da literatura ao matar por estrangulamento uma interna grávida. Após o episódio, Maura parou de escrever e foi esquecida por formadores de opinião e escritores. Solta em 1980, ainda passou por outras clínicas nos últimos anos de sua vida. Faleceu no dia 19 de dezembro de 1993 devido a um infarto.

Na montagem, o cenário não realista de André Cortez propõe a visão de Maura em relação ao espaço cênico, aludindo ao modo com essa “mulher poeta” enxerga o quarto do hospício. Camas de hospital se transformam nas páginas do diário, janelas são espaço de liberdade e prisão. O figurino de Marcelo Pies segue a mesma estética: um uniforme de hospício bem longo evoca, também, religiosidade. A trilha de Marcelo H é atemporal e cria atmosferas, ruídos e sonoridades, como se o som reverberasse da cabeça de Maura. O iluminador Paulo César Medeiros completa a ficha técnica.

Serviço
Diários do Abismo
Dia 8/6. Sábado, 19h
Teatro | 220 lugares
Ingressos R$ 5,00 (credencial plena), R$ 8,50 (meia), R$ 17,00 (inteira)
Venda limitada a 2 ingressos por pessoa
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos

 

Da Redação
Foto: Divulgação

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